terça-feira, 6 de dezembro de 2016

DENISE CAMPOS DE TOLEDO / QUADRO ATUAL DA ECONOMIA GERA INSATISFAÇÃO - DEZEMBRO DE 2016



A pressão ou cobrança em cima de Henrique Meirelles ganhou força na medida em que a economia perdeu ritmo. O ministro fala em paciente saindo da UTI. Mas é um paciente que apresentou piora e inspira cuidados, com previsão de recuperação bem mais lenta que se previa. O ajuste fiscal é fundamental pra garantir uma retomada mais consistente do crescimento, em bases mais sólidas, que inspirem credibilidade. Agora, não dá pra focar a política econômica só na PEC dos Gastos e agora na Reforma da Previdência também. São medidas impopulares que, na prática, têm um efeito contracionista. Significam mais aperto. Não se vê a adoção de medidas que dêem mais fôlego à atividade econômica. Não falo de medidas populistas como as que eram lançadas no governo anterior, apenas pra garantir resultados de curto prazo, como isenções tributárias, aumento de programas sociais, corte irresponsável dos juros ou a gastança sem limite, que está na base da atual crise. Nada disso. O governo poderia ter acelerado as concessões de infraestrutura, transportes, estabelecido condições para facilitar a renegociação das dívidas de empresas e consumidores com o sistema financeiro, lançado alguma política pra estimular exportações. Ações de maior efeito e visibilidade. Não adianta alterar as regras para a compra de imóveis, se os interessados estão sem condições ou com receio de assumir dívidas. Até a política de juros do Banco Central está sendo cada vez mais questionada. Com a recessão do jeito que está, desemprego em alta, consumo em baixa e inflação caminhando para o centro da meta em 2017, talvez fosse o momento de um corte maior da taxa básica. Claro que houve surpresas, que não estavam na agenda, como a grave situação financeira dos Estados, que vai exigir medidas urgentes de contenção de despesas e outros ajustes, o que pesa na atividade, assim como a eleição de Trump nos Estados Unidos, que trouxe mais incertezas em relação ao cenário global, impondo maior cautela. Mas o fato é que o quadro atual da economia gera insatisfação na população, faz com que a pressão política também aumente, até de aliados, que não querem ficar associados a uma situação de crise, e ainda mexe com a confiança. Confiança que é importante pra retomada da economia, e retomada que parece mais distante. O mercado, na média, já prevê uma expansão do PIB de apenas 0,8% em 2017. Muito pouco diante do tombo dos últimos dois anos. No sufoco, o governo agora, fala em medidas microeconômicas de estímulo à economia. Vamos ver o que vai sair. Eu volto na quinta. Até lá.


MARCADORES: PEC 241 / 55, ECONOMIA EM 2017, GOVERNO MICHEL TEMER

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