sábado, 31 de janeiro de 2026

O ÚLTIMO ORELHÃO DE PERUÍBE: #peruíbe #rodoviária #anos80 #orelhão #TelefonePúblico #OFimDosOrelhões #anatel - JANEIRO DE 2026







Os famosos orelhões, que em breve desaparecerão da paisagem urbana brasileira, existem desde 1972. Oficialmente chamado de 'Telefone de Uso Público', virou 'telefone público' e simplesmente 'orelhão'. O design da cabine foi criação de Chu Ming Silveira, uma arquiteta nascida na China, naturalizada brasileira e residente em São Paulo. Seu projeto foi aprovado e posto nas ruas pela Compania Telefônica Brasileira (aqui em São Paulo, antecessora da Telesp).  Tendo recebido vários apelidos (como "tulipa" e "capacete de astronauta"), o orelhão foi o que acabou pegando, em parte por causa da própria criadora, que batizou uma versão menor de "orelhinha", embora ela mesma disse que tinha forma de ovo. Feito de fibra de vidro, resistente ao sol e à chuva e não sendo muito alto para os usuários, esse inusitado protetor de telefone público fez história no Brasil.




Sim, tinha fila para se usar o orelhão



Nas grandes cidades do país, em horários de maior movimento nas ruas, as filas nesses equipamentos telefônicos eram comuns. Celulares eram quase que ficção científica e poucas pessoas tinham telefone em casa. Ter um na própria residência era tão raro que obtê-lo gerava admiração e até inveja, quando não espanto, que o diga o comercial abaixo:




Hoje parece piada, mas três milhões de linhas telefônicas em São Paulo naquela época (final dos anos 70), foi praticamente um evento histórico, num país bem atrasado tecnologicamente, o que favoreceu a popularidade dos "amarelinhos".



Em outro comercial, a telesp chega até Rifaina, uma pequena e tranquila cidade paulista, que fica na divisa com Minas Gerais. O "obrigado, moça" do senhor, que eu mesmo já disse para gravações, evoca antigas lembranças. E, é claro, com a lentidão da expansão das linhas fixas (fossem elas residenciais ou comerciais), as cabines de criação nacional seguiam na preferência das pessoas, que para usá-las, tinham que comprar as "fichas", pois com a inflação, não dava pra se fazer que nem nos EUA e usar moedinhas. Os cartões passaram a ser usados no início da década de noventa:





Embora vistos como equipamentos essenciais para os brasileiros se comunicarem, ou seja, eram de utilidade pública (extrema utilidade pública), nem todos os usavam e os tratavam com o devido respeito. No final dos anos 70, o vandalismo era tão elevado, que gerou o famoso - e polêmico - comercial da Telesp (quase sempre ela!), 'intitulado Morte do Orelhão', que segundo se conta, contribuiu para a redução no número de depredações:




E teve também o "orelhão azul", criado para ligações interurbanas (o amarelinho foi priorizado para ligações locais), ou seja, dava pra ligar até para cidades em outros estados do país. Isso parece que foi em outro século ... espera aí! Foi em outro século!



Encerro meu texto por aqui. O orelhão foi bom e importante, mas a sua finitude nos lembra de um fato, o de que que mesmo que não estejamos no "mundo dos Jetsons", faz mais de duas décadas que teve início o século 21. Sem dúvida é o fim de uma Era.


 


Charge do Gilmar Fraga/ jornal Zero Hora




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