quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lucro com leite de búfala em Barra do Turvo / setembro de 2010




Quem não é da região pode se assustar com a aparência ameaçadora daqueles animais enormes, de pelagem negra, muitos envergando chifres retorcidos e pontiagudos, caminhando em manadas pelos pastos até na periferia da cidade. Para os pequenos produtores rurais de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, no entanto, os búfalos são amigos e se tornaram sinônimo de prosperidade. "O leite dessas meninas é o nosso ouro branco", diz o criador Alexandre Mota Ferreira.


Ele sabe do que fala: a região que, no período colonial, fornecia ouro para a coroa portuguesa, tem hoje péssimos indicadores de desenvolvimento social e está entre as mais pobres do Estado de São Paulo.



Graças ao rebanho bubalino do Vale, o maior do Estado, com 22 mil cabeças, essa realidade pode estar com os dias contados. No ano passado, apenas os 50 integrantes da Associação dos Pecuaristas e Produtores de Leite (Proleite), com sede em Barra do Turvo, movimentaram R$ 1,5 milhão com a produção e venda do leite de búfala in natura, e ainda, na forma de mussarela, iogurte, manteiga e queijo frescal.



A produção chegou a 450 mil litros no ano, ou 500% a mais do que em 2005, ano em que o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae-SP) iniciou um programa de melhoria da pecuária leiteira na região. "Este ano vamos crescer mais 15%, passando a barreira dos 500 mil litros", disse o médico veterinário Fernando Vanucci, da Casa da Agricultura do município.



Demanda crescente. A produção é insuficiente para atender a uma demanda cada vez maior dos laticínios, o que explica a valorização da matéria-prima. O litro de leite, que era vendido a R$ 0,60 havia quatro anos, estava sendo comercializado no portão do sítio a R$ 1,07 na semana passada.


Ferreira é um dos pioneiros na região. Sua família era dona de uma metalúrgica em São Paulo e há nove anos comprou a Fazenda Gavião, em Barra do Turvo, para criar gado bovino. O baixo preço do leite de vaca levou o criador a optar pelo de búfala, mais valorizado. Além disso, com 5 litros desse leite se faz 1 quilo de mussarela, enquanto que, da vaca, são necessários 10 litros. O ex-metalúrgico mantém um plantel de quase 100 cabeças, das quais 42 búfalas em lactação. Ele tira em média 140 litros por dia, o que dá uma receita bruta de mais de R$ 4 mil por mês.



Piquetes. O rebanho é tratado a pasto e o criador dividiu a área em piquetes para fazer rotação de pastagem. No inverno, com os pastos secos por falta de chuvas, ele complementa a alimentação das reprodutoras com cana moída, farelo e sal mineral.



Instalações simples. Ferreira cuida do gado com a ajuda de um empregado. As instalações são simples, mas bem limpas e cuidadas. Para tirar o leite, ele instalou uma ordenhadeira. Nas criações de menor porte, a mão de obra é exclusivamente familiar. O presidente da Proleite, Luiz Carlos Cônego Portella, cuida sozinho do trato e da ordenha das 11 vacas. "Entre os nossos associados, não mais do que meia dúzia têm empregados. Geralmente trabalha o sitiante, a esposa e um filho", diz.


FONTE: http://www.estadao.com.br/


Comentário: Eu já abordei aqui a questão da bubalinocultura, que já foi uma atividade comum em Peruíbe, e não algo raro como é hoje. Bebia leite de búfala quando era criança, e me pergunto quantas crianças daqui podem ter o mesmo privilégio hoje, pois é isso que esse produto virou para nós: um privilégio.


Barra do Turvo já foi o município mais pobre de SP, com os maiores índices de mortalidade infantil e analfabetismo do Estado de São Paulo. Conheci uma moça de lá que, em pleno ano de 2004, NÃO SABIA QUEM ERA O BIN LADEN. Uma bela morena, que desconhecia uma questão amplamente divulgada por uma mídia...a qual ela não tinha acesso. Pensando bem, se considerarmos apenas o nível dos jornais peruibenses, ela tinha sorte, pois não perdeu nada.


O que eu quero dizer, é que Barra do Turvo, lá nos extremos do Vale do Ribeira, na divisa com o Paraná, pegou o bonde do futuro. Com avanços como esse estará dando as costas para a indigência rural, prostituição infantil na rodovia Régis Bittencourt e migração em massa dos mais jovens, com muitos deles atualmente preferindo uma favela em Curitiba do que a propriedade rural da família. Falta também - e isso será mais difícil - erradicar as quadrilhas de ladrões de cargas na BR - 116. Mas aquela cidade está evoluindo, deixando no passado a miséria mais sinistra.


E a nossa Peruíbe....pois é....aguarda a próxima temporada de verão, com a promessa de vários SHOWS para entreter os turistas e moradores que adoram a política do PÃO E CIRCO. Alguns por aí, AINDA ATRASADOS, se dedicam a produzir. Já a nossa avançada Peruíbe espera pelas migalhas que os visitantes paulistanos espalharão por aqui em troca de usufruirem das nossas praias.


Texto em que já tratei desse assunto:

http://peruibenastrevas.blogspot.com/2010/04/campanha-producao-de-leite-de-bufala-em.html


2 comentários:

CarolSuemy disse...

Eu vi a foto no google imagens e as reconheci, por causa dessa ai do chifre diferente kkkkk são de um tio meu!
Parabéns pelo blog!

Peruibense das Sombras disse...

Obrigado pelo comentário, e este continua a ser um artigo incrivelmente atual: enquanto Barra do Turvo progride, minha Peruíbe regride. Fazer o quê ....